Assim que o Ministério da Saúde publicou um manual incentivando a investigação de vítimas de violência sexual e aumentando os obstáculos para o aborto legal, agimos rápido e conseguimos, às vésperas das eleições, pautar os direitos sexuais e reprodutivos com base em evidências. Com ampla cobertura na mídia e mais de 70 mil pressões, o manual foi encaminhado para edição e agora, com o novo governo, a expectativa é de que ele vire apenas um item pré-histórico de tempos duros para as mulheres brasileiras.





O Brasil inteiro ficou horrorizado com o caso de uma menina de 11 anos, em Santa Catarina, que foi coagida a manter a gravidez fruto de um estupro, enquanto a sua própria vida estava em risco. Logo depois que esse caso ganhou os holofotes, o Ministério da Saúde publicou um manual com diretrizes para o procedimento de aborto legal que retrocedia em muito este direito conquistado: dentre muitos problemas, o documento previa a investigação criminal de meninas e mulheres violentadas que recorressem ao serviço de aborto legal e orientava uma idade gestacional limite aos procedimentos. A situação terrível em que se encontrou a menina de SC poderia deixar de ser a exceção e se tornar a regra.

A Secretaria de Atenção Primária à Saúde, por meio do Ministério da Saúde, abriu uma consulta para a população. Nós do Mapa do Acolhimento, junto a outras 10 organizações feministas, criamos uma mobilização para pedir a revogação do manual. Em menos de 24h, mais de 70 mil pessoas se mobilizaram. O manual não foi revogado ainda, mas segue em edição e, com a mudança de governo, a expectativa é de que seja apenas um item pré-histórico de tempos duros para as mulheres brasileiras.

Seguimos de olho neste e em todos os outros retrocessos que aparecerem para colocar em risco o direito das meninas e mulheres brasileiras. Se você quiser se manter atualizado e entrar em ação novamente com a gente, siga a gente no Instagram para saber sobre as mobilizações mais recentes.








Precisamos proteger nossas meninas e mulheres!

De acordo com o DataSUS, mais de 17 mil garotas de até 14 anos foram mães em 2021. Criar um mecanismo de criminalização das meninas e mulheres que realizam o aborto só fará com que esse número aumente, gerando insegurança nas vitimas e nos profissionais de saúde que atuam nos casos.

Fonte : G1 




Vítima não é suspeita

O Código Penal prevê que a palavra das pessoas que engravidam em decorrência de um abuso deve ser recebida com presunção de veracidade, ou seja, é preciso que os profissionais envolvidos acolham e acatem o relato das vítimas sem questionar se é verdadeiro ou não. Por diversas questões como o medo e a culpa, as mulheres não prestam queixas da violência que sofrem. Não podemos tolerar que transformem o acesso ao aborto legal em caso de polícia!





Aborto legal é um direito!

Nenhum procedimento de aborto previsto em lei deve ser submetido à autorização judicial. Trata-se de um procedimento de saúde, que depende única e exclusivamente da avaliação clínica dos profissionais envolvidos nos casos e do consentimento da pessoa que gesta. A Anis - Instituto de Bioética analisou ponto a ponto as imprecisões e equívocos do Manual. Leia na íntegra aqui.